sábado, 20 de junho de 2009

A importância dos recursos tecnológicos para a ação docente.

“Conforme o filósofo francês, Gilbert de Simondon (1969), o homem iniciou seu processo de humanização, ou seja, a diferenciação de seus comportamentos em relação aos dos demais animais, a partir do momento em que utilizou os recursos existentes na natureza em benefício próprio. Pedras, ossos, galhos e troncos de árvores foram transformados em ferramentas pelos nossos ancestrais pré-históricos. Com esses materiais, procurava superar fragilidades físicas em relação às demais espécies. Contava o homem primitivo com duas ferramentas naturais e distintas das demais espécies: o cérebro e a mão criadora (CHAUCHARD, 1972). Frágil em relação aos demais animais, sem condições de se defender dos fenômenos da natureza – a chuva, o frio, a neve... –, o homem precisava de equipamentos que ampliassem suas competências. Não podia garantir sua sobrevivência e sua superioridade apenas pela conjugação das possibilidades do seu raciocínio com sua habilidade manual. A utilização dos recursos naturais para atingir fins específicos ligados à sobrevivência da espécie foi a maneira inteligente que o homem encontrou para não desaparecer.” (KENSKI, 2006)
Se a tecnologia existe desde que o homem primitivo utilizou-se de recursos naturais, para atingir fins específicos ligados à sobrevivência, não podemos conceber a pratica pedagógica desarticulada dos meandros tecnológicos auspiciosos que nos circundam. Pois nos dias atuais isto se torna cada vez mais presente, mais real, uma vez que utensílios eletroeletrônicos como o celular, o palm, a TV Digital / Interativa, e etc, estão cada vez mais accessíveis e possibilitando acesso imediato às informações, aos relacionamentos, aos debates, as trocas de idéias entre outros. O que será dos docentes se não se apropriarem desses saberes para se tornarem capazes de fazer a porte entre informação, conhecimento e educando? Para Kenski (2003), “é preciso que a prática docente também se oriente nesse sentido”. Pois, só com o domínio destas competências o professor será capaz de fazer a mediação entre o educando e as novas tecnologias que se apresentam. Caso contrário o professor ficará aquém da construção históricocultural da sociedade (Vygotski, 1993).
Outrossim, convêm salientar, que, quem não está familiarizado com as tecnologias de informação e comunicação é considerado um “analfabeto tecnológico”. Inúmeras publicações em jornais e em revistas especializadas tratam, por exemplo, o computador como ferramenta indispensável ao processo de ensino e de aprendizagem. Libâneo (1999) ressalta a indispensável formação do professor. Neste sentido, é importante que esta formação possibilite a apropriação das diferentes linguagens existentes no mundo midiático, de maneira crítica, para inovar a metodologia do professor e superar o analfabetismo tecnológico, é preciso investir na formação de educadores que assumam uma postura ética na sociedade e na vida profissional. A partir daí teremos professores reflexivos, (Novoa, 2001), que detém o conhecimento para o saber transmitir a alguém, é preciso compreender o conhecimento, ser capaz de o reorganizar, ser capaz de o reelaborar e de transpô-lo em situação didática em sala de aula, para:
1. Promove a reflexão;
2. Oportuniza a comunicação;
3. Promover o Diálogo;
4. Priorizar o Registro;
5. Possibilita a aprendizagem em rede;
6. Promove a colaboração, cooperação;
7. Favorece a investigação;
8. Possibilita ao homem transformar e transformar-se.


“As sociedades se transformam, fazem-se e desfazem-se. As tecnologias mudam o trabalho, a comunicação, a vida cotidiana e mesmo o pensamento. As desigualdades se deslocam, agravam-se e recriam-se em novos territórios. Os atores estão ligados a múltiplos campos sociais, a modernidade não permite a ninguém proteger-se das contradições do mundo.
Quais as lições que daí podem ser tiradas para a formação de professores? Certamente, convém reforçar sua preparação para uma prática reflexiva, para a inovação e a cooperação. Talvez importe, sobretudo, favorecer uma relação menos temerosa e individualista com a sociedade. Se os professores não chegam a ser os intelectuais, no sentido estrito do termo, são ao menos os mediadores e intérpretes ativos das culturas, dos valores e do saber em transformação. Se não se perceberem como depositários da tradição ou precursores do futuro, não saberão desempenhar esse papel por si mesmos.” (Philippe Perrenoud, 1999).




Tancredo Wanderley de Carvalho Filho
Curso de pós-graduação Lato Sensu – Faculdade Pio Décimo
Educação e Gestão Pró II
Disciplina: Tecnologia Aplicada a Educação
Professora: Ddª Josevânia Teixeira Guedes

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